Lava Jato já é a maior operação contra corrupção do planeta!

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Cento e sessenta condenados em primeira instância, 49 fases (várias com desdobramentos), 187 acordos de delação premiada, R$ 12 bilhões a serem devolvidos aos cofres públicos. A Operação Lava Jato completa quatro anos com números que comprovam por que é considerada a maior ação de combate à corrupção da história. Somando as atuações das forças-tarefas do Paraná e do Rio de Janeiro e da Procuradoria-Geral da República, são 142 denúncias apresentadas até esta sexta-feira, envolvendo 562 pessoas.

Com um ex-presidente da república condenado, outra ex-presidente alvo de inquérito, o atual presidente e 12 governadores investigados, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, creditou à Lava Jato o mais concreto feito contra a corrupção no Brasil, por fazer a lei valer para todos, sobretudo para os que têm influência e que se apropriaram de recursos públicos desviados de serviços essenciais para a população. “As investigações e as ações penais têm caminhado bem em todas as instâncias porque os instrumentos jurídicos estão definidos e porque a corrupção tornou-se prioridade para a população, que acompanha a evolução dos trabalhos dentro do devido processo legal”, avaliou, em balanço da operação feito nesta sexta-feira em reunião do Ministério Público Federal em Porto Alegre.

Dodge reiterou apoio para intensificar investigações da operação e de seus desdobramentos. Destacou que a busca por resolutividade é estratégia prioritária em sua gestão. Por isso, tem feito novos acordos de colaboração, ajustado acordos já submetidos ao Supremo Tribunal Federal, além de solicitar diligências e providências tanto nos inquéritos quanto nas ações penais. “Há muito a fazer e estamos redobrando o esforço. Queremos resolutividade e continuidade. A reunião em Porto Alegre visa estreitar estratégias e avaliar o muito que temos a avançar, dimensionar a força de trabalho e os recursos que disponibilizaremos para esta atuação institucional prioritária”, afirmou.

Histórico

A primeira fase da Lava Jato foi deflagrada em 17 de março de 2014, em Curitiba (PR), com uma investigação sobre a atuação de quatro doleiros: Nelma Kodama, Raul Srour, Alberto Youssef e Carlos Habib Chater. A operação ficou sob a competência da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná devido aos crimes de lavagem de dinheiro cometidos por Youssef em benefício de empresa com sede em Londrina (PR). Esta empresa era de propriedade do ex-deputado federal José Janene (PP-SP), morto em 2010.

 

 

Com o avanço das investigações e a deflagração de novas fases, descobriu-se a ligação do doleiro com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e, consequentemente, um esquema de corrupção instalado na estatal. Diretores recebiam propina para fraudar licitações e superfaturar obras em benefício de cartel de empreiteiras, além encaminhar recursos ilícitos a agentes políticos e partidos.

O andamento da Lava Jato revelou que os desvios de recursos públicos ocorreram em diversos órgãos e empresas públicas, como Eletronuclear, Ministério do Planejamento e Caixa Econômica Federal, e em obras como a Ferrovia Norte-Sul, em Goiás, e a construção da Usina de Belo Monte, no Pará.

A celebração de acordos de colaboração foi essencial para a descoberta dos crimes: 187 foram firmados, sendo que 84% dos acordos de colaboração foram feitos com investigados em liberdade.

Outros 11 acordos de leniência com pessoas jurídicas e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) também foram celebrados no âmbito da Lava Jato. Por meios dos acordos de colaboração e de leniência, está prevista a recuperação de cerca de R$ 12 bilhões para os cofres públicos. Desse total, R$ 1,9 bilhão já foi devolvido.

Em quatro anos, ainda foram registrados 395 pedidos de cooperação internacional envolvendo 50 países, sendo 215 pedidos ativos (feitos pelas autoridades brasileiras) para 42 países e 180 pedidos passivos (recebidos do exterior) de 31 países.

Os países envolvidos nos pedidos de cooperação internacional são: Alemanha, Angola, Andorra, Antígua e Barbuda, Argentina, Áustria, Bahamas, Bélgica, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, El Salvador, Espanha, EUA, França, Gibraltar, Grécia Guatemala, Holanda, Honduras, Hong Kong, Ilha de Man, Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Ilha de Jersey, Ilhas de Guernsey, Israel, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Macau, México, Mônaco, Moçambique, Noruega, Panamá, Peru, Portugal, Porto Rico, Reino Unido, República Dominicana, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça, Uruguai e Venezuela.

 

Este artigo é uma réplica da fonte: https://paranaportal.uol.com.br/destaques/destaque-2/numeros-mostram-por-que-lava-jato-e-maior-operacao-contra-corrupcao-da-historia/  autor Roger Pereira.

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